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| Fonte : Site Piloto policial |
Brilhante matéria sobre segurança operacional. Texto de Frank Lombardi, adaptado por Mena
Barreto (site piloto policial)
Férias são ótimas. Carnaval então, sem palavras.
Elas nos dão a chance de colocar as tensões do trabalho e das tarefas diárias
de lado por algum tempo e relaxar. Ocupando sua mente com algo diferente do que
voar às vezes pode ser uma coisa boa, mas quando você voltar à cabine, você
certamente verá que a “ferrugem” aparece rapidamente.
Imagine o seguinte: você voltando para o serviço
operacional depois de férias agradáveis, cumprimentando seu parceiro de serviço
à qual você está rendendo, e quase que imediatamente recebe um chamado para uma
ocorrência grave de uma vítima de acidente de carro.
Passado o “susto”, você perceberá que você leva
alguns segundo extras para orientar-se sobre a partida e o monitoramento dos
instrumentos da aeronave, mas você conseguiu evitar uma partida quente.
Você irá pousar no local sem maiores problemas, mas
você não fez uma aproximação padrão e não lembrou do seu checklist de pouso de
cabeça como fazia antes. Você nem mesmo considerou o que faria caso
perdesse o motor (ou um dos motores).
O voo do local do acidente para o hospital será
sensivelmente mais demorado até você ver e identificar o heliponto e seus
pontos de referência para efetuar sua aproximação. Puxa, você estava tão
atarefado fazendo uma boa aproximação que não se lembrou de novo do seu
checklist de pouso.
De retorno à base, você sente seus músculos da
panturrilha queimando, com se com eles você estivesse tentando dobrar os pedais
do rotor de cauda durante o pouso.
Todas estas questões podem não ter
sido observadas pelo resto da tripulação, mas você sabe que seu
desempenho foi abaixo do seu melhor.
Uma verificação rápida no seu histórico de voo
mostra que você está dentro dos requisitos legais para voo, que em poucas
palavras, exigem que você tenha um recheque de voo a cada 12 meses,
bem como ter realizado três pousos e decolagens nos 90 dias
anteriores. Mas enquanto sua proficiência teórica está dentro da
legalidade ou em conformidade com os mínimos estabelecidos, é a sua
proeficiência prática que precisa de atenção.
Voar é uma habilidade perecível. Os problemas
descritos acima mostram como sua habilidade varia com o tempo, e quando ela
diminui, certamente você está cortando na sua margem de segurança.
Quando você está sem prática, você gasta mais
atenção do que o normal para a realização das tarefas críticas de voo, como a
decolagem e o pouso, e a quantidade de atenção que sobra para o julgamento e
para a tomada de decisões é sensivelmente reduzida.
Se você não é capaz de realizar várias tarefas ao
mesmo tempo, como efetuar checklists ou planejar mentalmente cenários
alternativos para ocorrências críticas em pontos cruciais em seu vôo, então o
seu limite de saturação pode estar mais perto do que você imagina, e em um caso
real de emergência, sua capacidade de pensar e agir rapidamente pode vir a
falhar.
É claro que certas habilidades são mais utilizadas
do que outras. Os regulamentos foram criados em uma tentativa de ajudar a
manter essas habilidades dentro de um mínimo aceitável. Mas a natureza
imprevisível das missões de segurança pública significa que qualquer uma das
suas habilidades mais específicas podem ser requeridas a qualquer momento.
É imperativo que as unidades aéreas dediquem um
planejamento contínuo de horas de voo para uma contínua formação e manutenção
da proeficiência prática de suas tripulações. Voar missões reais não
exclui a necessidade de treinamento real. Não há dúvida que voos
operacionais ajudam a reter o conhecimento, uma vez que a maioria das tarefas,
muitas vezes repetidas, são relembradas.
Mas você adquire mais experiência do que habilidade
durante as missões reais, principalmente nos cenários reais onde talvez você
tenha mais dificuldades… realmente não é um bom local para ver se você ainda
relembra como fazer.
Proficiência prática é melhor obtida em voos exclusivos
e dedicados ao treinamento, onde a mente do piloto está aberta para receber
informações e críticas, e a mente do instrutor está atenta para transmitir
conhecimento e efetuar críticas construtivas durante o desenvolvimento do voo.
Se a sua unidade aérea se orgulha em dizer que suas
tripulações são capazes de realizar uma grande variedade de missões
especializadas e complexas, tais como desembarque tático, salvamento terrestre
e aquático, operações aeromédicas, diga a seu chefe: Se nós não treinarmos com
freqüência, e melhor não dizer que podemos fazer.
Unidades aéreas que estão compromissadas com
programas de formação contínua dos seus integrantes, com padrões mais levados
de verificação e manutenção de sua proficiência prática, tem melhor chance de
conduzir suas operações com um grau elevado de segurança e estar apta a
conduzir prontamente suas missões especializadas e complexas, bem como exceder
quaisquer requisitos de proficiência de sua agência reguladora.
Idealmente, ao retornar de férias, depois de saudar
e cumprimentar nossos colegas de trabalho, todos nós devemos cumprimentar
nosso outro parceiro de trabalho: nossa aeronave !
Abra o manual do piloto, faça alguns voo de nacele
e reveja os procedimentos de emergência, solicite um voo para retomar sua
proficiência prática, assim você irá retomar e relembrar suas habilidades antes
que isso ocorra em uma situação real.
Fonte: Texto: Artigo adaptado por Alex Mena Barreto para
Piloto Policial, do texto de Frank Lombardi, publicado na Rotor&Wing.

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